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Supermercados vão sair fortalecidos para aproveitar o novo ciclo de crescimento


O momento atual é um claro sinal de ajuste após o final de um ciclo econômico de crescimento e explosão da bolha de consumo dos últimos anos. É um período de desaquecimento que exige austeridade e cortes nos gastos, mas a boa notícia é que podemos vislumbrar sinais de recuperação já em curto prazo.

A avaliação é do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das comunicações, ex-presidente do BNDES e atual presidente do conselho da Foton Awmark do Brasil, feita na palestra de abertura do Congresso de Gestão da APAS. Na sua análise, a queda da inflação e das taxas de juros, aliada aos números positivos da balança comercial, são sinais de que a economia vem recobrando a sua “saúde”. “Já vi o Brasil passar por vários ciclos econômicos e sempre reagimos com vigor em momentos como o que vivemos agora”, ressalta Barros.

Na sua avaliação, o clima de pessimismo dos empresários é exagerado. “Nós brasileiros temos essa característica do excesso, ou estamos eufóricos ou achamos que o mundo vai acabar. “Isso já aconteceu em outras crises e está ocorrendo agora, afirma. Com base nos 45 anos de experiência profissional que incluem passagens pelo Ministério das Comunicações e a presidência do BNDES, Barros considera fundamental os supermercadistas não entrarem em pânico e tenham consciência que vivemos um momento de transição. Ao final desse ciclo as empresas sairão menores, mas fortalecidas e preparadas para aproveitar o novo ciclo de crescimento.

Como exemplo, ele cita o período de eleições diretas em 1989, quando muitos empresários ficaram assustados com a possibilidade do então candidato Lula fosse eleito presidente. A família proprietária da cervejaria Brahma, a maior do país na época, entrou em pânico e vendeu a empresa para o Banco Garantia. As turbulências passaram e, sob o comando dos novos proprietários, a Brahma se expandiu, comprou outras cervejarias e se transformou na Inbev, hoje a maior cervejaria do mundo.

Otimista, Barros prevê que já estamos vivendo um momento de recuperação e que, se a nova política econômica se adequar à realidade do momento, é possível chegar ao final do ano com inflação com 6,5%, queda de juros SELIC em até 3% e dólar em R$ 3,50, uma taxa razoável para incentivar as importações. Nesse ritmo, não é exagero sonharem virar o ano com crescimento de 1%, fechar 2017 com crescimento de 1,5% a 2% e chegar a 3% a partir de 2018.

Fonte: APAS