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Entenda os gatilhos da compulsão alimentar

Diante das rotinas cada vez mais tecnológicas, imediatistas e estressantes, especialistas alertam para os riscos do desenvolvimento da compulsão alimentar, considerada um dos principais transtornos modernos.

“Quem sofre de compulsão alimentar consome grandes quantidades de comida de uma só vez, mesmo sem fome. Comem até se sentir desconfortavelmente cheios ou mesmo agoniados, e têm a sensação de perda de controle sobre o quê ou o quanto se come”, explica Roberto Garcia, psicólogo e idealizador do programa Mente em Forma, do Rio de Janeiro (RJ).

Patrícia Bertoni, nutricionista da Onodera Niterói, afirma que muitas pessoas comem por ansiedade. “A vontade de comer um docinho, a necessidade de uma bebida alcoólica, a sensação de que só terão saciedade se comerem determinado alimento são demonstrações de ansiedade e muitas vezes de compulsão alimentar”, ressalta.

O direcionamento é sempre individual com prioridade para a mudança de hábitos ao invés das restrições, já que restringir pode causar mais estresse e ansiedade

Porém, a raiz do problema está na interpretação acerca dos momentos indesejados. “Muitas pessoas, sem perceber, adotam interpretações da realidade sob uma ótica negativa e pessimista por conta de crenças irracionais, como a de que precisam ser perfeitas, por exemplo. Estes pensamentos acarretam sobrecarga emocional e contribuem para a elevação do nível de estresse, reações físicas indesejáveis e a compulsão alimentar”, explica Garcia.

No campo nutricional, Patrícia alerta que o direcionamento é sempre individual com prioridade para a mudança de hábitos ao invés das restrições, já que restringir pode causar mais estresse e ansiedade, impedindo o sucesso do tratamento.

Em paralelo, Garcia recomenda que a pessoa busque tratamento psicológico, em uma readaptação das crenças irracionais e pensamentos negativos: “É preciso dar novos significados, mais flexíveis, positivos e funcionais, ao modo como interpretamos as experiências que vivemos. Por exemplo: uma recaída na dieta pode significar apenas um deslize momentâneo, e não um sinônimo de fraqueza ou incapacidade. Para desenvolver esta nova mentalidade, procurar atendimentos psicológicos especializados podem ajudar o indivíduo a treinar a sua mente para criar hábitos mais assertivos”, recomenda.

Fonte: Revista Pense Leve