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O que saberemos nos próximos 6 meses?


Com os planos do verão completamente incinerados por essa pandemia global, muitos de nós estão esperando pela próxima estação, com o otimismo de que até lá a continua curva da crise tenha abaixado. Nós humanos esperamos clareza, mesmo em um ambiente de constante mudança. Então a questão que fica é: o que saberemos até lá e, o que não saberemos?

Por anos, nós, futuristas e estrategistas do mundo corporativo, temos implorado para as organizações e líderes de governos para uma transformação mais adaptativa, tentar apreciar novas abordagens, mudar comportamentos para endereçar as mudanças climáticas assim como uma crescente desigualdade econômica e social.

Da maioria, ouvimos o feedback de que tudo isso era “muito difícil, muito caro, muito disruptivo e muito impessoal”. No fim, a inércia ganhou. Então, uma das mais maravilhosas coisas sobre esse momento chocante é que de repente todos estão sendo jogados nessa nova era: juntos, prontos ou não; o trabalho remoto não é um experimento, é sobrevivência.

A entrega digital não é canibalismo, é a expectativa. Reuniões virtuais, telemedicina e aulas digitais não são mais frias (impessoais); elas nos oferecem uma vasta gama de conexão… em volta de todo o mundo. E, dessa forma: Estamos aprendendo o que funciona e o que não funciona? O papel que a cultura organizacional e o design possuem no sucesso desses novos esforços? Em quem tem a infraestrutura para esse estilo de vida digital e quem não tem?

Esses novos comportamentos e realidades econômicas estão nos forçando a ver, finalmente, e reconhecer as grandes desigualdades que existem no acesso à tecnologia, sistema de saúde, empregos estáveis e redes emocionais/financeiras. Tudo isso coloca um holofote empático em antigas ideias radicais de UBI (Universal Basic Income/Renda Básica Universal) e outras problemáticas financeiras e medidas para aqueles que do nada ficaram sem trabalho.

A situação também está abrindo o “buraco-chave” para a próxima onda de iniciativas colaborativas, assim como nos ajuda a se preparar de forma mais eficaz para a acelerada retirada de trabalhos pela tecnologia que ainda nem por aí.

Similarmente, assim como aviões estão parados, estradas estão quietas e fábricas tiram um descanço, o planeta também toma uma grande pausa respiratória para se purificar. Isso nos dá um grande panorama de como nosso hábitos de consumo têm afetado a saúde do planeta. Isso proporcionará uma leve cura para o meio ambiente? Muita? Completamente? Aumentará nossa deadline de 2029 para o caos climático? Isso finalmente mudará alguns de nosso comportamentos e nos fará pensar duas vezes sobre reservar um voo ou desperdiçar comida?

Essas três massivas mudanças em percepção e comportamento estão mudando nosso entendimento sobre negócios, sociedade e tecnologia:

- Iniciativa coletiva para uma força de trabalho digital, bem-estar e continuidade social;
- Uma percepção tangível de empatia para as atuais desigualdades sociais e econômicas;
- Uma visão clara do nosso consumo e da saúde do planeta.

Quando colocadas juntas, essas mudanças levantam todos os tipos de novas questões sobre o que faremos a seguir. Nós continuaremos nos dedicando ao sistema tradicional de quatro anos de faculdade quando agora podemos ver o valor de construir nossos próprios pilares com aulas remotas em todo o mundo? Nós voltaremos para nossos cubículos e expedientes de oito horas, ou, de forma confiante, desenharemos um sistema de trabalho mais flexível e híbrido? Faremos viagens longas e distantes ou nos sentiremos mais seguros perto de casa?

Enquanto penso sobre o que saberemos e o que não saberemos em um período de 6 meses, aqui ficam algumas presunções:

O que saberemos

A extensão do fosso digital e a fragilidade econômica de muitas populações vulneráveis;
As grandes lacunas no acesso a cuidados de saúde de qualidade, recursos educacionais e alimentação saudável;
O impacto do consumo humano na saúde planetária;
A força de nossa saúde mental/emocional… e nossos relacionamentos;
Quão conectados/interdependentes somos;
Como procurar ajuda/aprender com os outros;
Como trabalhar remotamente, configurar conferências/eventos virtuais;
Usar a impressão 3D para solucionar lacunas críticas na cadeia de suprimentos
Empregar AI / ML para encontrar novas soluções;
O valor de dados bons e confiáveis? e canais de comunicação confiáveis;
A rapidez com que nossas equipes/organizações/indústrias são capazes de responder/adaptar;
A importância de ter uma rede de apoio;
O valor da curiosidade e da construção de relacionamentos;
Quão engenhosos (e divertidos) podemos ser;
Quanto realmente desperdiçamos!;
Aternativas para usar papel higiênico… e o valor real dos bidês;
Quão desafiador (e gratificante) é ser um pai;
Quanto nossos anciãos significam para nós;
Quão destemidos e gentis são nossos jovens;
O valor da meditação e autoconsciência mais profunda;
As necessidades de nossos vizinhos e de quem está de costas;
A complexidade de nossas cadeias de suprimentos;
O impacto a curto prazo do UBI;
O que diabos “força maior” realmente significa ?!;
O que fazer com quiabo congelado;
O que ainda não saberemos:

O impacto do trabalho remoto no bem-estar mental;
O impacto duradouro sobre esta geração de graduados;
Se a sociedade agora confiará mais ou menos nas instituições;
Se preferimos nossos novos hábitos remotos;
Nosso apetite por correr riscos;
O impacto econômico de longo prazo desse período;
O impacto a longo prazo do UBI;
Se há um retorno sustentado à culinária e refeições em família;
O crescimento do “movimento prepper”;
Se haverá um boom de bebês em 2021;
O impacto nas taxas de poupança;
O futuro da oferta / acesso / acesso aberto à educação;
O impacto da competitividade e liderança globais;

Ainda há muito que não sabemos sobre como esse despertar estridente e uma mudança radical de comportamento afetarão nossos níveis de confiança, nossos valores profundos e nossas ações adiante, com tantas novas abordagens, soluções e histórias heróicas que estão surgindo enquanto falamos.

Mas, ao olharmos para além do medo e da perda inevitável e abraçarmos a humanidade com compaixão, estaremos em um lugar tão forte para construir ativamente, intencionalmente e corajosamente um futuro mais seguro e próspero para todos. Como indivíduos, como organizações, como indústria e como uma sociedade muito mais conectada. Haverá um boom de inovação à medida que vemos lacunas totalmente novas para abordar e se familiarizar com as ferramentas digitais agora à nossa disposição. Teremos uma maior reverência pela vida e uma compreensão e fé muito mais profundas em nossa resiliência. Seremos mais sábios, gentis, mais adaptáveis ??e muito mais conectados. Tudo muito bom.

Fonte: Consumidor Moderno