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Como ser um bom líder em um mundo cada vez mais dinâmico


“Tudo muda o tempo todo no mundo”. O verso da canção de Lulu Santos e Nelson Motta foi escrito nos anos 1980, mas parece fazer mais sentido a cada dia. Se as tecnologias exponenciais já vinham acelerando disrupções, a pandemia da Covid-19 acelerou esse processo, cujos reflexos já são evidentes, especialmente no meio corporativo. E o que muitos se perguntam é como ser um bom líder diante de tantas mudanças.

A complexidade crescente das relações de trabalho se deve, entre outros fatores, ao escalonamento da globalização e da competitividade, e vem exigindo cada vez mais novas posturas dos líderes. Mas como gerir equipes de maneira eficiente, em um cenário cada vez mais caótico? Esse foi o tema de um evento online promovido pela escola de negócios Saint Paul. Mediado pelo reitor acadêmico da instituição, Adriano Mussa, o evento contou com a participação do reitor e CEO da Kaospilot, Christer Windeløv-Lidzélius, e de Anders Drejer, professor da Aalborg University.

Entendendo o conceito de “caos”

Christer começou explicando que qualquer coisa que não é compreendida por inteiro, que não é simples e cujos rumos não podem ser justificados pode ser considerada complexa e, eventualmente, gerar o caos. Foi o que aconteceu com a maioria dos países este ano, com a decretação do lockdown. “Na Dinamarca, de um dia para o outro, o país inteiro se fechou devido à Covid-19. Nessas situações você está totalmente fora do controle, e é aí que experimenta o caos. Quando o caos se instala, você perde o controle, e ao perder o controle, não pode agir, apenas reagir”, complementou Anders.

Essa tomada de decisões por impulso, feita sem um diagnóstico claro do problema, acaba sendo improdutiva para as organizações, e também para gestores e colaboradores. “Se não analisarmos e nos aprofundarmos nas mudanças como gestores, continuaremos usando as mesmas soluções, sendo totalmente contraproducentes”, destacou Christer.

Segundo Anders, o principal desafio dos líderes atualmente é lidar com a crescente complexidade dos cenários. “A tecnologia e a globalização têm contribuído muito para isso, e como não é possível freá-las, é preciso aprender a lidar com elas. O futuro é caótico, e temos que nos preparar para ele.”

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As mudanças no conceito de “gestão” e “liderança”

Durante a discussão, Adriano Mussa pediu para que os dinamarqueses explicassem o conceito japonês de que os bons líderes, atualmente, usam 80% do seu tempo para focar em inovação, enquanto os 20% restantes são usados para questões, de fato, gerenciais. Anders destacou que a automação de processos permite que os líderes aproveitem o tempo livre para se dedicar à inovação, preparando-se para lidar com o caos. “Hoje, os empregados são mais bem preparados, não precisam de ninguém que os gerencie, mas sim de um líder que diga como será o futuro”, disse.

“Os líderes antigamente não eram apenas motivadores, eles eram os melhores em suas áreas. À medida que entramos na era da informação, mais pessoas se tornaram qualificadas, então a maioria dos líderes não é capaz de, de fato, realizar tarefas melhor do que os outros. Então não se trata mais apenas de ter capacidade para executar tarefas. Agora, é uma questão de saber inovar. Líderes que apenas comandam e controlam estão em extinção no mundo”, acrescentou Christer.

Segundo Anders, muitos dos líderes, apesar de trabalharem e pesquisarem muito, acabam falhando por se ocuparem com as questões erradas. “Líderes falhos são aqueles que repetem modelos até que não sejam mais relevantes. É como se dirigissem um carro olhando para o retrovisor.”

Em relação aos desafios para os líderes e colaboradores nos próximos anos, os dinamarqueses concordam que é preciso se preparar constantemente para uma variedade de cenários, e que o caminho para isso é, sem dúvidas, o Lifelong Learning. “As carreiras se tornarão temporárias. 20% do que você sabe vai se tornar obsoleto de tempos em tempos, e se você vai ter que trabalhar por 65 anos, apenas uma formação não será suficiente. Isso pode ser uma fonte de insegurança, mas também pode ser muito interessante”, concluiu Anders.

Fonte: Consumidor Moderno