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Alimentos: consultorias preveem aumento no valor de vendas de derivados de trigo em 2021


Apesar da redução no pagamento do auxílio emergencial, que estimulou o consumo de pães industrializados, biscoitos e massas em 2020, as consultorias Kantar WorldPanel e Nielsen preveem que deve haver aumento no valor de vendas desses produtos no ano. "No primeiro trimestre do ano, vimos desaceleração em unidades vendidas nas categorias de derivados de trigo, mas crescimento em valor, especialmente nos segmentos de pães industrializados e farinha de trigo", disse a diretora de Contas e Novos Negócios da Kantar WorldPanel, Raquel Ferreira, durante evento da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), realizado nesta manhã. Entre os pães, Raquel apontou que há crescimento especialmente nas categorias ligadas à saúde.

Raquel apontou também que, no primeiro trimestre do ano, os consumidores brasileiros pagaram 8% mais em alimentos e bebidas, compraram 5% menos em unidades, adquiriram volume de alimentos 2,3% menor e diminuíram a frequência de compras em 9%. "Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, vemos o segmento de pães e bolos industrializados ganhando presença, em crescimento de participação, pois os brasileiros estão fazendo mais café da manhã e lanches em casa", destacou a diretora da Kantar.

Na mesma linha, o diretor comercial da Nielsen Brasil, Arthur Oliveira, avaliou que as mudanças de tendência ocorridas em 2020 devem se manter neste ano com consumo mais forte de alimentos nos lares e produtos culinários ganhando importância na cesta do consumidor. "Especialmente pães e bolos industrializados e produtos com apelo para saúde", comentou Oliveira. O executivo apontou que, no primeiro trimestre deste ano, a consultoria observou alta de 22% em valor de vendas dos alimentos, puxada pela inflação, e incremento de 5% em volume na comparação com os três primeiros meses do ano passado. "A lentidão da vacinação e a redução do auxílio emergencial devem esticar o cenário de recessão", comentou Oliveira.

Mercado externo - O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), diplomata Augusto Pestana, destacou o crescimento das exportações de derivados de trigo no ano passado, que aumentaram 15% em faturamento, para US$ 196,3 milhões, e 52% em volume, para 158 mil toneladas. "Foram o maior volume e maior valor exportados pelo setor nos últimos cinco anos", ressaltou Pestana.

Pestana também destacou o fato de as exportações da indústria de pães, massas e biscoitos terem alcançado quase cem países no ano passado. "Isso é sinal de que estamos conquistando novos mercados, abrindo espaço em mercados já tradicionais, refletindo a capacidade de inovação e diversificação da indústria de alimentos brasileiros", avaliou. O presidente da Apex afirmou também que o setor tem desafios para avançar no comércio externo neste ano e em 2022, citando questões como especialização, sustentabilidade e imagem do produto brasileiro.

Entre os mercados prioritários no exterior para o setor, Pestana destacou que as vendas de derivados de trigo para países da África têm crescido, assim como para Colômbia e Chile. "Também vemos potencial gigante em vendas desses alimentos para China e Estados Unidos. No Oriente Médio, Emirados Árabes Unidos são um bom exemplo de mercado que pode crescer", apontou o presidente da Apex, que desenvolve programas em parceria com a Abimapi para estimular o comércio exterior do setor.

Fonte: Broadcast Agro