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Panetones: fabricantes apostam em sabores diferentes para ganhar novos consumidores


Original da Itália, o panetone já se transformou em uma das iguarias queridinhas das famílias brasileiras no Natal e outras épocas do ano. Por aqui, ele é consumido por mais da metade da população (52,4%). Mas o perfil de consumo vem mudando ao longo dos anos.

Pesquisa feita pela consultoria Kantar, em parceria com a Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados), mostra que o volume de vendas dos panetones tradicionais (com frutas cristalizadas) caiu 1,2% de 2018 para 2020.

No mesmo período, as vendas de panetones diferentes (com gotas de chocolate e outros recheios, até salgados) aumentou 3%.

“A movimentação ainda é pequena, mas mostra que as pessoas estão investindo em menos volume e mais nos panetones com valor agregado, como os com gotas de chocolate, com algo diferente “, afirmou Raquel Ferreira, diretora de novos negócios e clientes da Kantar.

A expectativa da Abimapi para o faturamento com panetones é de 5% a mais que em 2020, que movimentou R$ 848 milhões. Em volume, o crescimento deve ser de 2%. No ano passado foram vendidas 40 mil toneladas do produto.

A diretora da Kantar afirma que a estimativa de vendas para os panetones diferentes é mais otimista. No ano passado, esses produtos cresceram 12% em relação ao ano anterior. Para 2021, a previsão é de 15% de crescimento.

Quem mais trocou o panetone de frutas por outros?

Segundo mostra a pesquisa da Kantar, a penetração do consumo do panetone entre as classes A e B caiu de 60,7% em 2018 para 58,1% ano passado. Raquel Ferreira afirma que esse público não deixou de consumir panetones, mas migrou para os produtos com a receita não tradicional.

“Foram dois movimentos. A classe AB causou essa ligeira queda quando trocou os tradicionais pelos outros. E também, com a pandemia, outros itens foram para a mesa dos brasileiros, que ficaram mais em casa, como biscoitos com mais chocolate, com cobertura. O café da manhã e os lanches mudaram na pandemia e colocou outras categorias nessa rotina, o que impactou o consumo de panetone”, afirmou a diretora.

Como disse Kátia, foi na hora do lanche que o panetone faz a diferença. De acordo com a pesquisa da Abimapi, dos momentos em que ele é consumido, 49,4% são no café da manhã e 29,7% no lanche da tarde.

Em média, os brasileiros consomem 440 g de panetone por ano, de acordo com a associação, metade da Itália.
72 anos de fornadas de panetone

Uma das primeiras fabricantes de panetone do Brasil, a Di Cunto produz a iguaria desde 1949 no mesmo endereço, na Mooca, bairro com densa população descendentes italianos na zona leste de São Paulo. A padaria, que vende panetone o ano inteiro e em dezembro chega a vender 500 quilos por dia, criou no ano passado uma linha premium para atrair o público jovem.

Segundo Marina Lo Schiavo, do conselho administrativo da empresa, o público mais tradicional da Di Cunto procura pelo panetone com as frutas, mas a procura pelos produtos com chocolate vem aumentando.

“Os sabores diferenciados da linha premium, como o recheado de pera com chocolate, e o salgado, com parmesão, linguiça toscana e funghi, foram criados para atrair os mais jovens, que gostam de novidade. O de chocolate trufado, por exemplo, vendem demais”, afirmou Marina.

Para o Natal desde ano, a padaria lançou panetones de doce de leite e o recheado com frutas vermelhas e chocolate branco.

“Nós fazemos uma pesquisa no mercado interno e também trazemos novidades e tendências da Itália, como o de pera com chocolate que vende super bem”.

No restante do ano a empresa vende somente os panetones com a receita tradicional e o produto com gotas de chocolate. Com 1 kg, o produto custa R$ 80.

Fonte: 6 Minutos