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Luiz Carlos Caetano comenta o panorama do trigo nacional e internacional


1. Como está a oferta de trigo no mercado internacional? E no mercado interno?

No último relatório do USDA em 10/21, para o trigo estimou a produção em 775 milhões/t, consumo de 787 milhões/t e o estoque de passagem em 278 milhões/t. Também apresentou retração na produção e aumento no consumo reduzindo a estimativa de estoque em 5 milhões/t.

Os números estão aquém em relação ao esperado do início da safra em 06/21, o que gera influência no preço da comoditie devido aos seguintes fatores: aumento do imposto na Rússia, menor produção na Europa e Estados Unidos, e o custo do petróleo, que afetou toda a cadeia logística.

O mercado interno segue a tendência mundial, orientada pelas bolsas de cereais de Chicago e da Argentina (principal fornecedor do Brasil). Com a produção recorde no Brasil, a volatilidade do dólar e os custos de logística contribuíram para o preço se manter alto, mesmo não havendo escassez de grão.

2. Já estamos tendo que pagar mais caro pelo trigo? Se sim, quanto? Se não, há essa expectativa?

Sim, o custo para as indústrias é constantemente reajustado e estamos pagando o trigo mais caro porque a comoditie é regulada pela Bolsa de Chicago.
Alguns analistas, tem como previsão que o preço esteja próximo de seu patamar máximo, com ocorrências futuras de pequenas variações para cima ou para baixo.

3. Há previsão de falta de trigo no mercado brasileiro?

Não há previsão de escassez, só a safra Mercosul é suficiente para abastecer todo o mercado regional, mesmo com exportação pelo Brasil de 400 mil/t, e parte do consumo de milho na ração animal, sendo substituído pelo trigo.

4. Qual a sua avaliação quanto ao agronegócio no Brasil? E quanto ao nosso desempenho no exterior? Quais os principais avanços que alcançamos e podemos destacar? E os próximos desafios?

O agronegócio vive um bom momento, com o desempenho das exportações de soja e milho aliados aos preços em reais bastante vantajosos. Há uma preocupação com os constantes ataques e exposição negativa do país em relação ao clima e uso das áreas disponíveis para agricultura e pecuária como está ocorrendo durante a COP21. O único meio de se combater estes ataques é mostrando com transparência os planos e as medidas efetivas que foram tomadas em defesa do clima e da utilização do solo pelo agronegócio.

No período de pandemia não houve avanços significativos, mas sim a manutenção com pequenas variações os volumes exportáveis nos últimos anos.

O destaque atual é para o trigo que alcançou na safra 21/22, volume recorde expressivo. Este recorde poderá se estender nos próximos anos, se o Centro Oeste aumentar a produção, pois tem área suficiente, tendo como desafio o controle do brusone no trigo.

A produção nacional está melhorando a qualidade e produtividade do grão, dia após dia e se hoje comemoramos o dia do esperamos nos próximos anos nesta data ver o Brasil auto suficiente.

Fonte: ABIMAPI Entrevista