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Jorge Botero, Diretor de Consumer Foods da Buhler, aborda a indústria 4.0 na cadeia de alimentos


1. Como está sendo 2021 para a Buhler? 
De maneira geral, o ano está sendo bem positivo para a Bühler. Apesar de um primeiro semestre sem grandes investimentos no setor alimentício, desenvolvemos junto com os clientes, diversos projetos de retrofit, contratos de manutenção e projetos de automação industrial. Neste segundo semestre percebemos que a indústria alimentícia está restabelecendo a confiança no setor e voltando a investir nos parques fabris.
 
2. Quais os desafios do mercado a longo prazo? 
O maior desafio atual da indústria alimentícia está no custo de produção, decorrente do aumento dos preços das commodities, a variação cambial e o impacto da pandemia da covid-19, o que acaba afetando o custo dos alimentos para o consumidor final. 
 
Olhando o mercado alimentício a longo prazo, acreditamos que os maiores desafios estão pautados nas exigências dos consumidores e na forma como este alimento chega até a mesa. Os consumidores estão em busca de alimentos mais saudáveis, práticos, nutritivos e seguros, e atentos a origem destes produtos. A valorização das experiencias do consumidor gera a necessidade de a indústria inovar, para permanecer relevante. Além disso, a indústria enfrentará desafios com relação aos tamanhos das embalagens e gramaturas de produtos, que devem se ajustar ao novo consumidor.
 
3. Como enxergam as principais tendências de consumo de alimentos daqui cinco anos? 
O crescimento pela procura por alimentos com maior saudabilidade não é segredo para ninguém. O consumidor está cada vez mais atento ao consumo de produtos que tragam benefícios para a saúde, com a inclusão de novos ingredientes saudáveis e nutritivos. Exemplo disso, é a possível inclusão de farinhas de leguminosas (pulses) nas receitas de biscoitos, pães e outros. 
 
A tendência contínua de produtos glúten free e o crescimento de consumidores flexitarianos, já provaram que não são só uma “modinha”, já que estes mercados estão em crescimento. O de consumo de proteína alternativa, por exemplo, já aponta um crescimento anual de mais de 11% até 2027. Outras tendências fortes são a busca por alimentos produzidos de maneiras sustentáveis e a necessidade de serviços e produtos personalizados. Estas tendências trazem grandes oportunidades para a indústria alimentícia. 
 
4. Como enxergam a indústria 4.0? 
Ter uma fábrica inteligente resulta em maior produtividade, menos desperdício e redução de custos, além de ser um potencial competitivo grande. A alta rastreabilidade que a indústria 4.0 gera, permite uma gestão eficiente das indústrias, segurança do alimento e transparência da produção ao consumidor final. As indústrias de alimentos precisam se adequar a esta realidade que já está mudando o perfil das organizações. E para isso, devem estar bem estruturadas com relação à automação industrial, já que ela é a porta de entrada para a indústria 4.0 e a maior geradora de dados para as indústrias.       
 
As empresas que não fizerem investimentos nesta área experimentarão uma perda de lucro a médio prazo, e os pioneiros terão uma melhor margem operacional que atrairão outros investimentos para maior eficiência e economia das linhas de produção. Será um círculo virtuoso.
 
5. Como trabalham a parte de sustentabilidade dentro da empresa? Quais as iniciativas? 
Como grande player na cadeia produtiva de alimentos, a Bühler tem o desafio de reduzir o desperdício de matéria-prima e o consumo de energia e água em 50% até 2025, em colaboração com os demais elos desta cadeia. Estamos trabalhando em colaboração entre empresa, cliente, universidade, star-ups e fornecedores para desenvolver soluções que estejam em alinhamento com as nossas metas de sustentabilidade.

Fonte: ABIMAPI Entrevista