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Saúde mental em jogo: alta na quantidade de afastamentos levanta alerta no mundo corporativo


Uma pesquisa realizada pela startup Closecar, especialista em saúde corporativa, revelou uma alta de 30% no número de afastamentos de profissionais diagnosticados com algum transtorno de saúde mental.

O estudo traz dados coletados em uma investigação de 480 mil atestados médicos que foram recolhidos entre janeiro de 2020 a abril de 2022, e pertencem, por sua vez, a funcionários de 16 companhias diferentes.

A análise observou apenas as informações referentes a transtornos comportamentais e mentais, sendo estes, em sua maioria, identificados como estresse, ansiedade e depressão.

De acordo com o levantamento, os trabalhadores costumam ficar afastados, em média, 6 dias e normalmente ocupam cargos em empresas que exigem muito esforço mental durante o desempenho das tarefas, como escritórios de tecnologia, advocacia e multinacionais. O que não significa, entretanto, que profissões cujas atividades físicas são intensas não apresentem problemas ligados à saúde mental.

Competição excessiva e relacionamentos problemáticos contribuem para o agravamento dos casos

Para a psicóloga e especialista em RH na CMF Carreira, Carolina Martins, há uma série de indícios fornecidos pelo colaborador que revelam, gradualmente, que a cultura empresarial está afetando, de forma negativa, sua saúde mental: “estatisticamente, o aumento no índice de turnover, absenteísmo e afastamento é uma boa forma de começar a pensar em questões relacionadas à saúde mental dos trabalhadores”, inicia a psicóloga, que complementa: “profissionais altamente competitivos, excesso de horas extras, pouco relacionamento interpessoal nas equipes, baixa performance, baixa produtividade mesmo com mais horas trabalhadas e relacionamento problemático com a liderança direta são sinais claros de sofrimento mental”, pontua Carolina Martins.
De feedback 360 a pesquisas de clima: saiba como identificar a origem do problema

Segundo o professor da FIPECAFI e consultor de carreira, Emerson Weslei Dias, tais sinais devem ser mapeados pela empresa em questão, de forma em que sejam identificadas as causas e, posteriormente, as possíveis soluções para que os profissionais sintam-se acolhidos no ambiente de trabalho e desfrutem de uma boa condição mental.

Para isso, o professor argumenta que existem várias técnicas que auxiliam no diagnóstico precoce e facilitam a atuação da empresa no campo preventivo: “além de pesquisas de clima e de engajamento, o feedback 360 e as rodas de conversa com profissionais especializados na área da saúde podem ser estratégias interessantes para captar nuances que, no dia a dia, não são notadas pelos líderes e pela equipe do RH”, comenta Emerson Weslei Dias.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, a mentora e estrategista de negócios do Instituto Guskuma de Desenvolvimento Humano, Priscila Guskuma, argumenta também que a inserção de treinamentos, reuniões em grupo e feedbacks sinceros também são excelentes ferramentas para aproximar os gestores e as equipes, melhorando assim o relacionamento profissional e, consequentemente, a saúde mental de toda a empresa. “Os líderes precisam estar próximos de suas equipes, entendendo que por trás de grandes resultados, é necessário que haja o apoio para o desenvolvimento comportamental dos colaboradores”, ressalta Priscila Guskuma.

Após a identificação do problema, como é possível corrigi-lo?

Por fim, Carolina Martins explica que, para além destas medidas, recomenda-se a “criação de programas de incentivo à saúde mental e física, o investimento em estratégias de endomarketing com foco na comunicação não violenta e a contratação de psicólogos e médicos do trabalho capacitados para acolher os profissionais e encaminhá-los os tratamentos necessários”, enfatiza a especialista em RH, que finaliza: “estruturar um plano de cargos e salários e acompanhar o acúmulo de funções dos profissionais também é bastante importante, visto que a sobrecarga de trabalho é um dos principais gatilhos para problemas relacionados a saúde mental”, principalmente no período pós-pandemia.

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Fonte: Consumidor Moderno