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No Dia Mundial da Alimentação, uma reflexão sobre a segurança alimentar


No dia 16 de outubro é celebrado o Dia Mundial da Alimentação. Essa data foi escolhida para lembrar a criação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) e tem como intuito desenvolver uma reflexão a respeito do tema em âmbito mundial.

Segundo relatório da ONU The State of Food Security and Nutrition in the World 2022, o número de pessoas afetadas pela fome globalmente subiu para 828 milhões em 2021, um aumento de 150 milhões desde 2019, sendo que cerca de 2,3 bilhões de pessoas no mundo (29,3%) encontram-se em insegurança alimentar moderada ou grave.

A insegurança alimentar é a falta de acesso a uma alimentação adequada em quantidade e qualidade nutricional e pode ser classificada em três níveis – leve, quando há incerteza sobre a capacidade de ter o alimento; moderada, quando há restrição na quantidade e variedade de alimento para a família; e grave, nos casos de falta de alimento na mesa por um dia inteiro ou mais.

É importante lembrar que um dos objetivos globais para o desenvolvimento sustentável (ODS), pactuado pelos países signatários da ONU é acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.

Infelizmente, os números atuais demostram que o mundo está se afastando cada vez mais desse objetivo para 2030.

Uma alimentação de qualidade e em quantidade suficiente é direito de todos, e no Brasil esse direito é assegurado pela legislação. Segundo a Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006, a “alimentação adequada é direito fundamental do ser humano, inerente à dignidade da pessoa humana e indispensável à realização dos direitos consagrados na Constituição Federal, devendo o poder público adotar as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população”.

Mas apesar de estar previsto na legislação, muitas pessoas padecem sem ter o que comer. Dados de 2022 do II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (PENSSAN), mostram que só 4 entre 10 famílias conseguem acesso pleno à alimentação. Em números absolutos, são 125,2 milhões de brasileiros que passaram por algum grau de insegurança alimentar. É um aumento de 7,2% desde 2020, e de 60% em comparação com 2018.

Se por um lado o mundo enfrenta o aumento da fome, vivemos ainda um alto desperdício de alimentos, sendo esta uma das contradições mais preocupantes da vida moderna. O Brasil é um dos 10 países que mais desperdiçam alimentos no mundo, segundo dados da FAO, perdendo cerca de 35% da sua produção anualmente, em torno de 27 milhões de toneladas de alimento por ano.

Que possamos aproveitar esse Dia Mundial da Alimentação para refletir sobre nossos hábitos alimentares, o desperdício e como podemos ajudar esse cenário. Nesse sentido, pequenas atitudes individuais podem fazer a diferença. Confira algumas dicas de como evitar o desperdício de alimentos em sua casa:

    Planeje as refeições. O desperdício acontece quando se perde o alimento por guardá-lo de forma errada ou, ainda, quando se faz mais comida do que o necessário no dia a dia.
    Faça uma lista para ir ao supermercado conforme o cardápio ou o consumo habitual da família, considerando os alimentos que já estão disponíveis na despensa.
    Utilize o alimento de forma integral. Cascas, talos e folhas são ricos em nutrientes e podem ser utilizados em preparações como caldos, sopas e ensopados.
    Arrume a sua despensa, colocando na frente alimentos que estão com a validade mais próxima do vencimento para evitar perda.
    Congele as sobras de alimento. O arroz que sobrou hoje pode se ser utilizado em uma refeição futura.

 * Gina Marini é gerente de segurança e saúde no trabalho do Serviço Social da Indústria (SESI).

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Fonte: Portal da Indústria