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365 dias da mulher


Passados dois anos e meio da estreia da minha coluna aqui na Consumidor Moderno, considerei o momento propício para inaugurar a série de artigos de 2023 voltando aos temas de liderança feminina e diversidade.

Não apenas porque permanecem atuais, mas também para identificarmos o que evoluiu de lá para cá. Caminhamos? Sim. Foi o suficiente? Não, pois ainda há muito a ser feito.

Afinal, não é da noite para o dia que vamos corrigir esse desequilíbrio que tem sido bastante prejudicial para as executivas e a sociedade há tempos.

Segundo uma pesquisa da Grant Thornton realizada em 2022, as mulheres ocupam 38% dos cargos de liderança no Brasil. No mesmo estudo publicado em 2019, essa parcela representava apenas 25%.

De acordo com o relatório Women in the Workplace 2022, produzido pela McKinsey em parceria com o LeanIn.Org com centenas de empresas participantes nos Estados Unidos e Canadá, para cada 100 homens promovidos de um emprego de nível básico a gerente, só 87 mulheres são promovidas. E, no geral, 60% dos gestores nos dados analisados eram homens.

Isso significa que há simplesmente poucas mulheres para serem promovidas a cargos de liderança sênior.

Por isso, para subir mais degraus as mulheres buscam um empregador mais comprometido com a diversidade, equidade e inclusão.

Para os autores do estudo, as empresas que não agirem agora podem ter dificuldades para recrutar e reter a próxima geração de mulheres líderes – e para as corporações que já têm um “degrau quebrado” em seu nível de liderança, isso gera implicações especialmente preocupantes.

Já a pesquisa “Women in the boardroom”, aplicada pela Deloitte em mais de 10 mil companhias de 51 países, incluindo o Brasil, revela que as organizações estão, em geral, muito mais atentas e preocupadas em avançar na equidade de gênero em cargos de direção. É uma tendência que se deve consolidar.

Esse aumento da presença feminina em cargos de liderança é materializado em importantes iniciativas. Sublinho duas:

O Movimento Elas Lideram 2030, coliderado pela ONU Mulheres e pelo Pacto Global da ONU Brasil, que estimula o compromisso das empresas para promover a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres a partir de posições de liderança.

O objetivo é que mais de 1.500 corporações se comprometam com o tema, levando mais de 11 mil mulheres para cargos de alta liderança até 2030. As companhias devem escolher uma das duas metas norteadoras do movimento para assumir o compromisso: 30% das mulheres na alta liderança até 2025 ou 50% até 2030.

No ano passado, um grupo de mulheres negras que atuam em diversas áreas da Avon se reuniu para trocas sobre suas trajetórias pessoais e profissionais, em um momento de acolhimento entre pares.

Logo após a roda de conversa, o grupo recebeu a participação surpresa de outras mulheres da liderança da companhia, que se ofereceram para amadrinhar colaboradoras negras e apoiar o crescimento delas em suas carreiras.

Inspiradas no movimento “Uma Sobe e Puxa a Outra”, que, aliás, cresceu fortemente no LinkedIn nos últimos meses, todas, literalmente, vestiram a camisa e se conectaram, refletindo o compromisso da Avon, que há mais de 135 anos incentiva o empoderamento e o empreendedorismo das mulheres.

Porque puxar mulheres não é tão somente sobre contratar mulheres – é apoiá-las, encorajá-las e desenvolvê-las. Isso vale para mulheres e homens!

Outro movimento aberto à participação de todos é o “HeForShe”, originado pela ONU Mulheres e ao qual a Mondelez é filiada, que convida homens e pessoas de todos os gêneros a se demonstrarem solidários às mulheres para, assim, formar uma frente ambiciosa, visível e unida em direção à igualdade.

Esses homens, a propósito, não estão à margem. Eles trabalham com as mulheres e uns com os outros para construir negócios, criar famílias e contribuir com suas comunidades.

Somadas aos movimentos, a homenagem “Women to Watch” tem como objetivo apontar o holofote para mulheres cujas trajetórias e capacidades transformam a indústria de comunicação, marketing e mídia.

A partir desse reconhecimento da pluralidade, a ideia é formar redes de apoio que vão elevar outras mulheres ao topo do setor que, ainda que paute a diversidade com mais ênfase, está longe de abraçar todas as intersecções, sobretudo nas posições executivas, de liderança e tomada de decisões.

Faço aqui um agradecimento especial e carinhoso à minha querida amiga Renata Vieira, super profissional reconhecida pelo prêmio W2W. Parabéns, amiga, você é um orgulho e uma inspiração para mim!

Em sua quinta edição, o “Prêmio Mulheres na Liderança”, realizado em parceria entre a Women in Leadership in Latin America e a Editora Globo, condecora as melhores políticas, processos e práticas das empresas que estão um passo adiante na jornada de ampliar a participação feminina, em todas as interseccionalidades, até os cargos de liderança, assim como fomentar a diversidade e a inclusão no ambiente corporativo.

Entre as 20 empresas com atuação no Brasil com mais ações de destaque em diversidade e inclusão, a Mondelez Brasil foi lembrada por conta dos treinamentos massivos a toda a cadeia de valor oferecidos a respeito de ambos os temas e em razão da implementação e do fortalecimento de comitês e grupos de afinidades, revelando um alto nível de maturidade nessas frentes.

A Mondelez também tem se firmado como uma empresa referência em liderança feminina. Não à toa, superou a meta de mais de 50,02% de mulheres em cargos de liderança na companhia dois anos antes do prazo estabelecido.

Para ampliar o seu quadro de mulheres líderes era necessário não só fortalecer as políticas internas voltadas ao público feminino, mas refletir isso para além da empresa, impactando também o público externo e gerando interesse em fazer parte.

A empresa intensificou ações como o acolhimento, benefícios para amparar colegas mães, plano de sucessão de liderança, mentoria feminina, equidade salarial e licença-maternidade estendida, entre outras.

Como parte do esforço para atingir a equidade de gênero na liderança, a companhia criou o Comitê de Mulheres na Liderança da Mondelez Brasil, liderado por Cibele Esteves.

Muito obrigada a todo o comitê e à Cibele por pilotar esse movimento na empresa e abrir portas para o nosso crescimento profissional e pessoal. #orgulhodevoces.

A Mondelez Brasil também passou a integrar o “Movimento Mulher 360”, referência no engajamento empresarial em prol do desenvolvimento econômico da mulher e da promoção da equidade de gênero e do empoderamento feminino.

Hoje, a Mondelez Brasil conta com mulheres em cargos de liderança sênior que vão desde gerentes à diretoria e vice-presidentes, nas mais diversas áreas da companhia, como jurídico, logística, financeiro, marketing, recursos humanos, vendas e comunicação.

A empresa é signatária da ONU Mulheres e trabalha em conjunto com a instituição na promoção da igualdade de gênero e do empoderamento feminino.

Ao resgatar esse olhar a respeito de temas que continuam sendo de extrema relevância e, ao mesmo tempo, adicionando exemplos concretos de sucesso, seguimos na luta constante por equidade e reconhecimento de nós, mulheres.

Não somente hoje ou no Dia Internacional da Mulher, mas em todos os dias do ano.

Sempre em busca de um futuro melhor, mais diverso e empático.

Fonte: Consumidor Moderno